Durante mais de três anos o fotógrafo francês Vincent Catala observou a classe média da cidade do Rio de Janeiro por uma perspectiva muito diferente daquela que nos acostumamos a ver nas telas de televisão e pela internet.

Catala enfoca a distância. Distância entre os sucessivos blocos residenciais, comerciais e imensas áreas vazias e a visão que se abre para o silêncio e a solidão. O oceano que nunca se perde de vista e as pessoas, solitárias, indo e vindo.

As favelas são poucas e espaçadas. Os pontos turísticos, distantes. O fotógrafo indaga, por meio de suas imagens, onde estamos realmente, e quando?

Suas imagens tem sempre uma névoa leitosa que obscurece os mais conhecidos encantos da capital. Segundo ele, isso evidencia o limite nada periférico que representa certa de 70% da cidade, no qual vivem 2/3 dos cariocas.

É nesse espaço que, para Vincent, ressoa mais claramente o estado de turbulência que abalou o Brasil nos últimos tempo. Uma crise econômica que, aos poucos começa a se tornar uma crise existencial.

“Existe uma correspondência tácita entre o local e os indivíduos. Em meio à esse cenário urbano incerto que se assenta, solitárias figuras aparecem, momentaneamente suspensas em uma expectativa de crise iminente, como a procurar por um equilíbrio localizado em algum lugar entre o desvanecimento total da ordem e o seu ressurgimento”

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Vincent Catala vive e trabalha no Rio de Janeiro onde se estabeleceu em 2013, vindo da França. Tornou-se um fotógrafo em 2006 depois de ter experimentado vários outros trabalhos. Especializou-se em projetos de profundidade, nos quais discute e contextualiza os laços entre o indivíduo, seu espaço e suas representações subjetivas: solidão, liberdade, lugar no mundo.
Seu trabalho tem aparecido em publicações importantes como Le Monde, Télérama, The Sunday Times Magazine, The National Geographic, Revista ZUM, entre outras. Vincent também tem sido exibido em vários shows e festivais, incluindo Nuit de l’année, RIP Arles (França, 2011 e 2014), Galerie Dupon (França, 2011), Encontros da Imagem (Portugal, 2011), Festival Circulation (s) (França, 2012), Galeria Dar Al Anda (Jordânia, 2013 e 2014), Musée André Villers (França, 2015). Desde 2015 sua obra faz parte da coleção permanente do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Gilberto Chateaubriand.